A 7ª história (Rua Manuel César Candeias)



Depois de uma abordagem histórica, o regresso à cidade e às histórias das suas ruas.

Agora a 7ª, a propósito da rua Manuel César Candeias, a da Policia. Como em muitas outras, também ela mereceu, por parte da CM, a classificação de “rua de proibição de inversão de sentido de marcha”. A PSP também lhe atribui este título e acha bem.  É por isso (!), disseram-me na Esquadra,  que “é uma rua de sentido único  e para não se colocar um sinal de 10 em 10 metros coloca-se só um no princípio”!
No fim da rua não se pode virar para a esquerda, está lá o sinal e bem. Como bem poderia estar no princípio da rua, ao lado do outro da mesma família, disse eu,  explicando porquê, mas aqui o agente, irritado, quebrou o diálogo e mandou-me estudar o código...
Uns dias antes consultei duas Escolas de Condução da cidade para saber como deveriam ser sinalizadas tais ruas e o meu espanto foi maior: “O sinal está bem, mas certo, certo, era colocar também o de “sentido único”!! Numa outra Escola foi-me dito que sim, estava certo e que a “proibição funcionava até à próxima intersecção”!!!

Câmara Municipal, Policia, Escolas de Condução?!?!
Viva Torres Vedras!

O 1º Sinal de Trânsito da cidade de Lisboa (Rua do Salvador, Alfama)




"Ano de 1686 - Sua Majestade ordena que os coches, seges e liteiras que vierem da Portaria de
S.Salvador, recuem par a mesma parte"

Trata-se do 1º Sinal de trânsito da cidade



A Rua do Salvador na década de 1980 (Jornal "A Capital" de 16 de Abril 83)
Visível a D.Conceição




A Rua do Salvador na actualidade, vendo-se a placa no canto inferior direito




A D. Conceição à porta de sua casa no Pátio dos Quintalinhos, às Escolas Gerais.


Conhecemo-nos em 2006 (tinha ela  92 anos)  quando ali me desloquei para registar umas fotos do local onde funcionou a 1ª Universidade portuguesa, em 1290, a mando do Rei D.Dinis.
- Aqui mesmo, disse-me, apontando para o interior da casa, era uma sala de aula...!
Foi esta Senhora quem  me transmitiu informação histórica que desconhecia. Foi ela quem me ofereceu um exemplar do  do Jornal  "A Capital" com uma reportagem sobre o assunto.
Visitei-a várias vezes e ofereci-lhe esta fotografia emoldurada. Nunca mais ali fui, depois de, da última vez, me ter dito que não sabia quem eu era...
Soube, entretanto. da sua morte.       



O que se escreveu, a propósito...
       
  "Pela estreiteza das antigas ruas, pela sua tortuosidade...uma das dificuldades da polícia era os atropelamentos e os encontros forçados de dois coches ou liteiras onde o recuo era extremamente penoso e impossível voltear ou tornejar".
"Daí se originavam contendas medonhas entre os lacaios e até os próprios amos não lhes eram indiferente. Da vozearia passava-se a vias de facto; e, por causa de dois coches embetesgados numa viela esconça amotinava-se um bairro" (Júlio Castilho)
Para pôr cobro a esta situação, D.Pedro II manda publicar legislação adequada da qual este sinal é um exemplo. Placas semelhantes foram colocadas na Calçada de S.Vicente, S.Tomé, Largo de Sta Luzia, etc.
Os infractores "eram punidos com cinco anos de degredo para a Baia, Pernambuco ou Rio de Janeiro e dois cruzados de multa, salvo chegando a ponto de puxarem por armas porque então lhes cominavam as penas dos desafios"
Por melhores que fossem os propósitos régios, era praticamente impossível resolver os problemas do trânsito face às dimensões dos coches e liteiras e à estreiteza das ruas.



A 6ª história (Rua da Várzea+Largo do Palácio da Justiça)

Volto às Ruas e às suas típicas situações. Agora a da Várzea, estreita também e de um só sentido, inevitavelmente, que nem era preciso dizê-lo ou mostrá-lo. Mas a CM, ao enfatizar, estampa-se e soma mais um desastre.
Por esta Rua se chega ao Tribunal, cujo Largo é servido por dois parcómetros que se avariam com frequência, facto que tem merecido reparos dos utentes. Nestes, não se incluem, obviamente, os autorizados, nem os que, por  razões obscuras, se servem da zona circundante do Palácio, especialmente nos dias soalheiros de verão.
Deste Largo pode entrar-se na Rua Maria Barreto Bastos, mas, atenção, nada de peões porque a Câmara proíbe.

JMD


Um intervalo nestas histórias para deixar aqui uma fotografia que fiz há um bom par de anos na Estação de Sete-Rios
É para Ti, JMD
Um Abraço
ALA

A 5ª história (Rua de Sto António)

Pequena e estreitinha, “afluente” da de S.Gonçalo de Lagos, dá acesso ao bonito Largo de Sto António e também ao Castelo.
Antes de entrar na rua, o automobilista é informado e proibido de...inverter a marcha!
Nem mais, como na vizinha da Horta Nova.


A 4ª história (Rua da Horta Nova)

Bem perto da Raimundo Porta fica a Rua da Horta Nova, uma e outra no extremo Sul da de S.Gonçalo. Dá acesso ao  Sporting de Torres, agora com mais facilidade porque os pinos que por ali havia, e eram 10, salvo erro,  (5 em frente à entrada e 5 no fim da rua) sumiram, à semelhança dos outros que já aqui mereceram referência. Trabalha-se com perfeição e rapidez. mesmo nas barbas da Junta de Freguesia.
Esta é uma das muitas ruas (30 ou mais) da cidade, classificada  como “Rua de proibição de inversão de sentido de marcha”, uma nova figura do Código de Estrada, criação exclusiva da CMTV.

A 3ª história (Rua Raimundo Porta)

A Rua Raimundo Porta, que conflui com a de S.Gonçalo de Lagos, é muito pequena, quase não há nela lugar para a asneira, mas há. A rua passou a ter em 2008, sentido proibido (excepto autocarros) a partir da rotunda e foi devidamente sinalizada, repito por me parecer importante, devidamente sinalizada. Mas os estudiosos parceiros entenderam (e continuam a entender) que os torrienses são gente muito distraída  que precisa de mais qualquer coisinha para ser alertada. Vai daí colocaram uma grade com um sinal de sentido obrigatório em jeito de obras em curso... Uma semana depois qualquer torriense encartado sabia que por ali nada feito, mas o adereço mantém-se e já lá vão dois anos!!!
Há indicação que proíbe o estacionamento na rua mas isso não tem qualquer significado.