Circulando, de novo, pela cidade

Há muito tempo que não venho aqui ao blogue.  Volto agora com o propósito de continuar a referir-me ao tema do T&E, (e não só), assunto que preso e que também representa a maior preocupação do Presidente.
O Regulamento de Trânsito de 2009, cuja entrada em funcionamento “na íntegra” se prevê para fim de Março corrente, tem sido bastante discutido na imprensa da cidade e noutras instâncias. Também o Forum do site da Câmara  a ele se tem referido.
Os dois textos que seguem foram nele publicados.
 O primeiro , em Dezembro de 2013, por altura do anúncio do alargamento da zona de parquímetros .
 O segundo,  a propósito do Parque de estacionamento da Câmara Municipal.


"Uma multa de trânsito não é um acto de justiça, é sinal de pouca sorte”

Fui ontem, de manhã, dia 12 de Dezembro,  ao centro da cidade para fazer umas compras  numa loja do “Comércio tradicional”. À porta do estabelecimento  estavam estacionados os carros do(a) comerciante e o de um(a) empregado(a). Não havia nenhum lugar vago em toda a rua. Como só me interessava aquele estabelecimento, voltei à tarde. Constatando que os “residentes”  ainda lá estavam e que continuava a não haver nenhum lugar vago,  segui, com muita pena,  para o Arena Shoping, estacionei  gratuitamente num dos pisos e fiz a minha compra.
Isto não aconteceu mas podia ter acontecido.
Deixo aqui uma pequena amostragem de entradas de automóveis na cidade, em Fevereiro de 2008, num período compreendido entre as 09.00h e as 10.30h
Ontem como hoje, a maioria destes carros ocupa a cidade, oferecendo um deplorável e lamentável espectáculo
Trata-se de uma situação que nunca vi denunciada pelas chamadas forças vivas desta cidade, nomeadamente Associações, partidos políticos, grupos organizados de cidadãos, etc, etc
A festança é diária e tudo corre sobre rodas!  Calmamente…
Isto foi (e continua a ser) Torres Vedras, cidade onde valem (e se consentem) todas as espécies de tropelias e irregularidades  perpetradas por cidadãos  que me abstenho de qualificar.
Diz Manuel João Ramos no livro “Sinais do Trânsito”, que “hoje uma multa de trânsito não é um acto de justiça, é sinal de pouca sorte”. Transgredir quer dizer “ter o azar de ser apanhado por um polícia…” E diz mais: “Tanto faz cumprir uma regra como não. Os sinais de proibição ou obrigação já não são portadores de informação pertinente- não exigem, sugerem…os polícias deixaram de perceber a sua missão…agem como cidadãos … em vez de policiar, interpretam (como os condutores) as regras. Tanto faz multar como não”
 Os torrienses auto-mobilizados têm sido, ao longo dos anos, esses sortudos e já deram por adquirido esse estatuto quando utilizam discricionariamente os espaços à sua volta. Por isso sentem agora o tapete a fugir-lhes debaixo dos pés e começam a derrapar.
Avançam com medidas de um provincianismo pacóvio ( para uma cidade cujo centro cabe num quarteirão da baixa  de Lisboa), como seja a criação de escalões e  oferecem  um dia de estacionamento para quem, p.e., compre um par de sapatos,  ou duas horas para beber umas bejecas!!!   É isso?


Este parque não é para todos

Contrariando a minha determinação de deixar de frequentar este  parque público do edifício da C.M., face às limitações que são impostas aos utilizadores, avalizadas, aliás, pelo seu Presidente), a ele voltei.  Recorri ao elevador para sair (ao arrepio da norma imposta ) , face às reclamações das minhas artroses e outras maleitas.
Cheguei ao átrio deserto às 17.30, os serviços já estavam encerrados e a porta para o exterior estava fechada. Fui informado pela empregada de limpeza que, para sair para o exterior  teria que voltar ao parque ou então utilizar um corredor dos serviços (!), o que fiz. Se  fosse um utilizador esporádico teria lamentado e  aceite de bom grado a informação de  que a “saída para a avenida 5 de Outubro  estava  temporariamente fóra de serviço”, mas como não sou, continuo a dizer que se trata de um completo desaforo uma vez que NUNCA funcionou.
Para os utilizadores desprevenidos  aqui deixo algumas informações úteis sobre este parque público:
Abre às 08h e fecha às 20h;
Ao sábado fecha às 14h;
Sai-se para o exterior por escadas de 49 ou 52 degraus, conforme o piso;
 O elevador funciona de acordo  com o horário da C.M.. até às 17.30h durante a semana;
Ao sábado não há;
O horário nas placas "Elevadores - Câmara Municipal 08.30-19.00" está, consequentemente, errado;
Veja-se a foto:






A Escultura

                   



                        A fotografia acima mostra (!?) o ex-Largo do Grilo que integra uma zona recentemente requalificada. Como era de prever os costumeiros invasores ocultam a escultura ali colocada descaracterizando o espaço.Bem se pode dizer que, face à vizinhança, se trata de "Natureza Morta"
      

                    AS AGOSTINHAS




Desde que ando por aqui, e já lá vão quase dez anos, não têm conta as vezes que os membros da Autarquia responsabilizam os automobilistas pela sempre agravada situação do T&E.
Coitado do civismo que tanta pancada tem levado e que continua a ser o álibi para esta fatalidade.
Mas as bicicletas de partilha já cá estão e os torrienses e os turistas até podem utilizá-las para subir ao Castelo nas eléctricas, que também as há. Mas isto só vai acontecer em Junho. Entretanto o Vereador Carlos Bernardes foi adiantando, através da imprensa local, que não tem de haver espaços exclusivamente dedicados à bicicleta, na sequência daquilo que o Presidente já havia dito  no site da C.M.: hoje, o convívio do peão e da bicicleta no mesmo espaço é aceite e recomendável e é para aí que temos que caminhar. E mais disse o Vereador  que a Autarquia vai apostar em campanhas de sensibilização…
Estou inteiramente solidário com tais opiniões e intenções, mas confuso quanto aos propósitos já assumidos pela C.M.relativamente à criação das cinco Ciclovias a que a Revista de Nov/Dez de 2011  da Autarquia se referia, em texto acompanhado de curiosas fotografias.  São elas a “Linha da História” (apadrinhada por João Roque), a “Linha Verde” com Leonel Miranda como padrinho, a “Circular Joaquim Agostinho”, esta com Ana Agostinho como madrinha, “A Linha da Água”(apadrinhada por Francisco Miranda) e a “Linha do Comércio” com Jorge Silva como padrinho. Com isto se pretende, no dizer do articulista “criar uma nova cultura (!!!) de mobilidade”
Entretanto, e enquanto se aguarda por Junho, os torrienses, os estudantes e os turistas vão continuar a desfrutar da desoladora paisagem que a denominada Ciclovia das Escolas lhes oferece e a interrogar-se (não todos evidentemente) se as ditas que se anunciam são mesmo para cumprir ou se não seria melhor descartá-las.
Será bom ter presente que as “Agostinhas” serão obrigadas a circular pelas Ciclovias. Imagine-se o espectáculo nos passeios da Henriques Nogueira, no espaço (...) reservado aos ciclistas. A menos que a Autarquia acabe também com esta "coisa" a que a C.M. chama de Ciclovia das Escolas e que só serviu para ser inaugurada numa cerimónia muito parecida com a que a foto acima ilustra.


Volto ao assunto do Trânsito e Estacionamento na cidade de Tores Vedras:
                                                   
                                                     O "PINO"

Vê-se em todas as cidades e vilas mesmo naquelas onde a fiscalização existe. Agora que o “Sistema informático de gestão de estacionamento na cidade”  jaz no seio da Justiça, bem faria a C.M.se, face á inoperância da suprema autoridade policial (a qual continuará, por certo, a manifestar-se), apontasse baterias para impedir, de facto, o estacionamento abusivo e corrigir situações anómalas.
O PINO é a solução e já se vêem sinais de que a C.M. se vem orientando neste sentido.
Há, contudo, que cuidar do aspecto estético e ambiental. Faz pouco ou nenhum sentido que na cidade se utilizem cerca de 15 tipos de pinos ou similares que desempenhem as mesmas funções.
Desde o Modelo CMTV (o 1º que vem do séc.passado), aos cilíndricos, às bolas, aos retrácteis, às grades de vários tipos, aos cubos de pedra, aos cilíndricos de pedra, aos blocos de cimento, até aos recentes da zona pedonal do Largo de S.Pedro, é muita coisa para tão pequena cidade!
Num pequeno percurso com início na Rua João L.Moura (Mercado) até ao Largo do Tribunal, passando pelo Largo de S.Pedro, Rua Gago Coutinho, Terreirinho, Rua Francisco X.de Melo, Rua da Várzea, podem ver-se  13.  Só nesta última rua há 4 !!!
As nossas vizinhas Lourinhã e Caldas são uma excepção a esta regra: Não vi pinos no centro destas cidades. Na vila de Mafra creio que só há 3 tipos e noutras cidades que conheço nunca vi tal diversidade.

"Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa."~

(FP/Alberto Caeiro)






Venham mais cinco...

Torres Vedras tem aquilo a que chama a Ciclovia das Escolas, ainda por concluir, mas já apadrinhada por um "ilustre torriense ligado ao mundo do ciclismo". Não tem qualquer utilidade.
Vai ter mais cinco, todas com padrinhos já escolhidos, antigos ciclistas. Trata-se da Rede de Ciclovias Urbanas de Torres Vedras, uma cidade com tradição do uso da bicicleta, no dizer da Câmara Municipal.
Não se fica por aqui a determinação do Município neste campo: os torrienses vão dispor de 27 parques para bicicletas, 7 zonas de descanso e 8 estações de aluguer de bicicletas. Segundo a CM  "esta rede de ciclovias assenta num conjunto de eixos estruturantes que ligam os principais pontos de Torres Vedras".
Não resisto a transcrever mais um pedacinho de prosa retirado da REVISTA MUNICIPAL de Novembro/Dezembro 2011 ( pág.16/17 ): "...Com a implementação daquela rede de Ciclovias, a CM pretende promover entre a população de TV formas de deslocação mais sustentáveis e económicas, que favoreçam a saúde e a qualidade de vida da mesma, bem como o ambiente, e ajudem também a uma "redescoberta" desta cidade, valorizando-se o seu património. Pretende-se, no fundo, criar uma nova cultura de mobilidade..."

É obra, numa cidade cuja zona central e comercial cabe em dois quarteirões da baixa pombalina de Lisboa.
"Esta cidade descobre-se e redescobre-se caminhando!"
São uns fantasistas estes governantes!
Deixo um conjunto de fotografias  
                                           
Uma fila de alunos muito jóvens e professoras, em Copenhaga



                                                       


   

Mobilidade no parque de estacionamento da CMTV


(Texto publicado no Jornal Badaladas de 15 de Julho de 2011):




Há poucos dias, ao entrar de automóvel para o parque de estacionamento da C.M. na rua Henriques Nogueira, cruzei-me, na rampa, com duas senhoras, uma delas transportando um carrinho com um bebé. Perguntou-me se não havia elevador que a pudesse conduzir ao exterior, disse-lhe que sim, que havia, e que da próxima vez que estacionasse no parque o deveria usar, atravessando, depois, o átrio da Câmara na direcção da porta principal do edifício.
Se dermos atenção ao modo como os responsáveis cuidam, na prática, da mobilidade dos cidadãos que utilizam este parque, verificamos que, para além das placas que apontam os elevadores, com indicação exclusiva de Câmara Municipal (e respectivo horário), existem outras que referem a saída pedonal para as ruas Henriques Nogueira (e agora) Princesa Benedita. Para se chegar, por ali, ao exterior, há que vencer 43 degraus desde o piso -1 e 60, se do -2 !  Missão fácil para alguns, penosa para muitos e impraticável para outros.
É esta a razão pela qual as rampas para automóveis acabam por ser o processo mais utilizado pelos peões. Mais artrose menos artrose, mais barriga menos barriga, mais ano menos ano, com criança pela mão, no carrinho ou ao colo, é essa a alternativa. Assim sendo, e como não foi construído elevador para o exterior, bom seria que se criassem, nessas rampas, corredores sobrelevados, devidamente protegidos e sinalizados. Trata-se de uma prática que existe em muitos parques do país.
Muito curiosa é a informação ao fundo do parque, nas portas de acesso aos elevadores e no  interior destes. Lê-se:  Câmara Municipal / Avenida 5 de Outubro. Sorte para quem vai para a Câmara, já que os demais (que não conheçam a cidade) terão que regressar ao parque, uma vez que a saída para essa Avenida continua, como é indicado no patamar do piso “0” (e  desde a inauguração do edifício), temporariamente fóra de serviço !!!  Lê-se mal mas está lá.
Não menos curioso é o facto de os deficientes em cadeira de rodas terem que perguntar como é que saiem para o exterior.
Casas de banho?  Nem as da CM estão sinalizadas!
 P.S. Tudo isto se passa num edifício público que cumpriu com as normas legais em vigor em termos de erradicação de barreiras arquitectónicas, de que são exemplo a correcta entrada principal na rua Princesa Benedita,  o elevador para deficientes na Avenida 5 de Outubro (que nunca funcionou) e a rampa na rua Henriques Nogueira que teria utilidade se houvesse outra entrada para o edifício da Câmara, a Sul.
Os meus cumprimentos
ALA
.

Amsterdoeste


Acabou-se o pandemónio do trânsito e do estacionamento na cidade.
Carros em segundas filas e terceiras filas,
Carros nos passeios,
Carros nas passadeiras,
Carros junto às passadeiras,
Carros nas zonas de cargas e descargas
Que é isso!?
Chegou finalmente o antídoto para acabar com esta calamidade: As bicicletas de aluguer.
O Vereador Carlos Bernardes inspirou-se no modelo holandês e vai de o importar,
 para promover a deslocação das pessoas de uma forma saudável e mais sustentada entre o centro e a periferia. Nunca percebi muito bem este tipo de qualificação! Será que andar de bicicleta não é sempre saudável? Adiante.
De entre as pessoas a que o Vereador se refere, destacam-se os mais jovens que têm de se deslocar para as Escolas.
 Adultos e jovens unidos, portanto, para reduzir o uso do automóvel dentro da cidade.
Vontade de Vereador.
 Vamos ter, assim, aquilo a que poderemos chamar o “Amsterdoeste” nas ruas da cidade e na sua periferia.
Não foi adiantado o valor do aluguer, tão pouco se o dito incluía capacete.
Junto algumas fotografias numa antevisão daquilo que virá a ser esta audaciosa iniciativa da CM:








ATROPELOS...



Em 25 de Novembro de 2010 afirmei no site da CMTV que passaria a incluir-me no grupo dos automobilistas que circula pela via da esquerda ascendente da Praça Gulbenkian .
Há uns dias atrás, como ia com pressa, ao verificar que a via da esquerda seguia em marcha muito lenta, avancei pela da direita, completamente livre, predispondo-me a ouvir os habituais elogios pela minha afoiteza. Não surgiram desta vez, só que um dos carros que ultrapassei era um carro da PSP. Não era coisa que se fizesse à “autoridade” e isso eu vi no semblante, misto de autoritário e condescendente, do agente-pendura,  como que a dizer-me “por esta passas, mas para a próxima…”
Serve isto para dizer aos responsáveis da CM, que, como cidadão cumpridor das regras de trânsito, muito apreciaria que me facultassem a possibilidade de circular nesse local, por forma a não ser admoestado pelos meus pares e, quem sabe, por um qualquer agente da PSP que observe este meu inusitado comportamento e me passe uma multa.
Se a via é exclusivamente de BUS, coloque-se o sinal nos sítios apropriados.
Se não é, sinalize-se, também horizontalmente, por forma a que os automobilistas a utilizem.
 Quanto à zona de cargas e descargas  que ocupa (!)   a via antes da rotunda da Henriques Nogueira,  onde já se viu?
Junto, em repetição, duas fotos elucidativas registadas há anos
P.S. Este assunto foi objecto de um outro post aqui colocado em 8 Jan2011






Ainda o Miradouro do Varatojo


O Miradouro sofreu, entretanto, algumas modificações: arrumaram-se as pedras e cortaram-se os arbustos que mais perturbavam a visibilidade. Ficaram, contudo, outros.
Assim sendo, não me parece que deva haver lugar à reposição do poste de sinalização original, habilitando-se, deste modo, os turistas a desfrutar de tão bela paisagem.
Junto  foto 1   foto 2    foto 3     foto 4   (*) para melhor compreensão destes afazeres camarários

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(*) Esta é, obviamente, uma montagem

Marcha atrás...

Corria o ano de 2003. Em Agosto escrevi a 1º mensagem para o Forum da Câmara Municipal:


Dr.Carlos Miguel

Descobri há pouco tempo este “site” e o  espaço reservado à colaboração dos munícipes. É um bom trabalho. Nele os nossos eleitos nos dizem: - aqui estou eu, aqui estamos nós, vejam-nos, fomos nós que fizemos isto aqui, , acolá aquilo, estão previstas outras coisas,  etc.  E nós, do lado de cá, vemos, usufruimos, aplaudimos  e ... protestamos.  Também daqui,  do teclado do computador.
Assim, pois,  o meu, obviamente bem intencionado.   Sobre automóveis  e automobilistas,  peões,  parques e polícias,  estacionamentos.
É o Trânsito onde cabem todos estes vocábulos e acerca do qual toda a gente diz mal.  Ainda não falei com ninguém que opinasse noutro sentido. Tão pouco na imprensa.
Apenas V.Exa e a sua vereação se vêm conformando com a situação,  pois, se assim não fosse,  já há muito tempo nos teriam dito:
- aqui estamos nós, vejam a nossa obra!   Como  isto rola !  Desloquem-se, passeiem à vontade  pela cidade, entrem na C.G.D. a pé e não com o carro debaixo do braço,  subam a rua Santos Bernardes com a criancinha,  até à Física, tomem, de passagem,  uma bica e um bolo  e um gelado pro menino, na Milai,  sem necessidade de jogar ao labirinto,  comprem o selo sem piscas na estação dos Correios.  Paguem os impostos nas Finanças saboreando calmamente as bichas.  Dirijam-se à Câmara Municipal em cima dos pés, sem necessidade de levar a barriga ao colo, cumprimentem o sr vereador que, de igual jeito, se desloca par o trabalho...Levem o medicamento que compraram na farmácia no bolso do casaco ou na malinha  e não no porta luvas do carro...
“O problema do trânsito é muito difícil de resolver” É um lugar comum na boca de todos os governantes. Nenhuns contudo dizem porquê. A nós, do lado de cá, compete-nos dizer, como em relação aos demais, isto está mal e tem que ser corrigido.  Há quem o tenha feito.  E nem é preciso ir a Espanha. Basta ir ver o novo estádio do Braga,  passar pela Bragolândia e aproveitar para ir ao Bom Jesus, (subindo e descendo as escadas mesmo se para pagar promessa),  e, de seguida,  parquear por baixo,  na baixa.  Juntar os seus pèzinhos a milhares de outros e ir  por eles à Sé, a um museu, a uma livraria, a uma  pastelaria  tomar um chá ou uma cerveja, comprar umas  jeans... um par de  sapatos...  jantar numa esplanada  ... Constatar, depois,  em  passeio digestivo, que isto acontece em   toda a zona histórica e comercial  da cidade,  recuperada em função do cidadão apeado.  Zona com uma área superior à da cidade comercial  de Torres Vedras !  Recordar, a propósito,  o  protesto pacóvio de alguns comerciantes do nosso burgo quando foi interditado o trânsito NUMA  rua central ...!
“O problema do trânsito é  muito difícil de resolver” . Alguma coisa foi feita,  digo eu, dr Carlos Miguel:  alargou--se a área do estacionamento pago, colocaram-se “palitos” em alguns passeios, alteraram-se sentidos de trânsito, fizeram-se  pequenas rotundas e criou-se um parque de estacionamento para 200 lugares.  Trata-se de boas iniciativas que poderiam ter contribuido para uma melhoria substancial da situação. Todavia o cidadão-torreense-auto-mobilizado-chicosperto não paga o estacionamento,  julga que os palitos  surgiram na sequência do embelezamento artístico da cidade e pára ali para apreciar,  há os que os utilizam   para limpar a mrd dos pombos que se cola aos  sapatos,  estaciona em segunda fila  e diz ao  polícia (se aparecer) ou ao proprietário do carro bloqueado que “foi só um minutinho”, pensa que o parque de 200 lugares é para quem não tem jeep...ou para os lorpas...
 Estes cidadãos também a si não têm  respeito, dr Carlos Miguel,  porque não faz cumprir as elementares normas que implantou.  E é o que se vê.  A CM  tem que fazer uma campanha pedagógica, a começar em lume brando, assim uma espécie de “dia-semanal-tolerância-zero-trânsito-na-cidade”. Que passaria, no mês seguinte,  a dois-dias-semana .....cidade”, depois “três-dias...”,  depois “quatro...”, etc.
Não tardaria que os cidadãos ficassem a conhecer as regras e a cumpri-las, nomeadamente,  a saber que é proibido  parar o carro numa artéria de tráfego intenso  para, p.e.,  ir ao multibanco, que os 4 piscas não significam que o automobilista não se esqueceu do carro ali,   que do parque dos 200 lugares  ao centro da cidade (Praça 25 de Abril) “são cinco minutos a pé”.
( Nem os vizinhos das bicicletas, frangos, e etc o usam!!!!)  Que...que...
Os responsáveis da CM poderão  vir a merecer os elogios dos seus munícipes,  que diriam:
 - Afinal não custou nada!?
 - O gajos até nem entraram  a matar !?
 -Vem-se muito bem do parque até aqui...até aproveitei para fazer 3 chamadas no telemóvel!
- Agora o que são precisos é mais locais de estacionamento!
 Dos mais distraidos destes problemas:
 - Onde se meteram os carros?
 Ou em pleno Janeiro:
- Parece que estamos em Agosto oh Laidinha!  Até me deram um cartão de residente !
Por aqui me fico, dr Carlos Miguel.  Desculpe o desabafo.
Não sou de cá mas gostava de usufruir melhor a cidade onde vivo.


Os meus respeitosos cumprimentos
A.Araujo

(utilizador do parque dos 200)


P.S.  Estive recentemente em Segóvia, onde, como certamente  sabe, o trânsito não está interdito na zona histórica.  Antes altamente disciplinado.
P.S. 2 – Coincidências:  Acabei de ler num jornal local que o Sr.Presidente da Câmara  irá  propor o alargamento da área de estacionamento, bem como o pagamento de uma quantia simbólica para os utentes do parque dos 200 lugares. Muito bem.     Se for mesmo para pagar, claro.
O meu post anterior remetia-nos para o ano de 2004.
Sete anos se passaram. Teremos que dizer agora que não se pode permitir o mínimo abuso. É fundamental haver uma fiscalização muito mais apertada do que aquela que existe hoje. Esta não poderá permitir o mínimo abuso para que as pessoas com mobilidade reduzida possam utilizar os passeios ou as que andem com carrinhos de bebé circulem sem encontrar automóveis nos passeios.

A foto, que junto é minha e é recente. Constitui um exemplo que traduz o comportamento abjecto de cidadãos e, paralelamente, a total inaptidão de quem tem a obrigação de lhe pôr cobro.
O bold/itálico também é meu. Mas o texto não, ainda que o subscreva: foi publicado no Jornal Badaladas de 14 de Novembro de 2006, sob o título “Torres Vedras reforça fiscalização do trânsito” e corresponde a declaração do Sr. Vereador Carlos Bernardes.

Aproveito a ocasião para juntar, ainda, algumas fotos (*) de uma cidade (Bragança) onde o ordenamento de trânsito é eficaz, onde não há carros em cima dos passeios, tão pouco em segundas filas, onde o parqueamento é pago em todo o centro histórico, onde a sinalização é correcta, onde os autocarros urbanos param em qualquer lugar para receber passageiros, etc, etc.

Não será diferente a civilidade dos brigantinos. Diferente é o empenhamento, a competência e a eficácia dos governantes.

(*) Conjunto 1 Conjunto 2

Voltando ao T&E

Insustentável

“Na edição da semana passada deste jornal (Badaladas) foi dado a conhecer ao público que, finalmente, a Polícia de Segurança Pública (PSP) de Torres Vedras está em condições de começar a actuar junto dos que, na cidade, prevaricam em termos de mau estacionamento automobilístico. Ou seja, vêm aí os bloqueadores de rodas, o reboque e as multas a doer. Já não era sem tempo.. Tudo porque a situação se tornou de tal maneira calamitosa e crónica nesta cidade, no dia-a-dia, que já ninguém aguenta. É insustentável. Reina hoje em Torres Vedras uma tal falta de educação e de civismo, num salve-se quem puder tremendo, que a anarquia parece ser o sistema e o regime que aqui governa e comanda.
Os casos são por demais conhecidos e de toda a gente. Ele há proprietários de automóveis e jipes (os topo de gama lideram a lista) que, ostensivamente, teimam em estacionar todos os dias os seus bólides em cima dos passeios, impedindo com a sua acção a passagem e o usufruto dos locais reservados exclusivamente aos peões. Estes têm, forçosamente, que saltar para o meio das ruas, sujeitos a atropelamentos. O que dizer, então, dos idosos, das crianças e das mulheres grávidas, dos deficientes motores e dos invisuais?
Há uma falta de consciência cívica e colectiva tal, que irrita o mais calmo e pacífico dos mortais cidadãos. Este tipo de prepotência terceiro-mundista é o que mais grassa nesta terra. Um caso concreto acontece mesmo nas barbas da PSP, ao fundo da Rua António Leal da Ascensão, próximo ao prédio onde mora o Presidente da Câmara Municipal, mesmo à noite, quando há estacionamento legal para dar e vender. É esta a cidade e os cidadãos que temos.
Saudamos, por isso, que a Polícia comece o quanto antes a operação de remoção das dezenas e dezenas de carros mal estacionados (em cima dos passeios e em 2ª, 3ª e 4ª filas) nesta cidade faz de conta. Certamente que uma larga franja de torrienses e de forasteiros lhes darão todo o apoio e ficarão eternamente agradecidos por essa moralização coersiva.
Estamos, no entanto, apreensivos quanto ao espaço que a PSP vai necessitar para o estacionamento dos automóveis rebocados. É diminuto. Como sabemos, a nova Esquadra foi edificada dentro de um espartilho. Não lhe é permitido alargar a sua área, a não ser que lhe seja doado um terreno adjacente para expansão Sul, previsto para a edificação de prédios de habitação. Nele poderia ficar o futuro parque de estacionamento em falta na Polícia.
Entretanto, a Câmara deve repensar um novo processo de sensibilização colectiva que leve as pessoas a estacionarem as suas viaturas no Parque da ExpoTorres, quase sempre às moscas.”

Nota: Este texto foi escrito por Fernando Miguel Silva, Director do Jornal Badaladas, na edição de 20 de Fevereiro de 2004, deste jornal.

Parece que foi ontem…

Combinações

Abate de Árvores e Mobilidade em Torres Vedras


A Câmara Municipal de Torres Vedras procedeu recentemente ao abate de árvores  na cidade. A operação foi contestada através de intervenções diversas no Forum  do seu site e no Jornal Badaladas, o que levou à posterior  publicação, pela CM,  de um “Esclarecimento” naquele espaço.
Todavia, não foi através deste “Esclarecimento” que se ficaram a saber as razões do abate de seis árvores na Rua Aurélio Ricardo Belo, porquanto  o Sr.Presidente da Câmara  já tivera ocasião de informar no Forum  do site do município que  “em concreto as árvores junto ao Hospital foram cortadas porque ocupavam todo o passeio, obrigando as pessoas a circularem pela estrada. Para garantir a mobilidade, tivemos que proceder ao corte”.
A acrescentar a estas seis árvores, foram abatidas mais três  na Rua Ana Maria Bastos sem que qualquer razão fosse, em concreto, apresentada.
Entretanto, publicou o jornal Badaladas uma resposta do Sr. Vice-Presidente da Câmara a dois leitores, a propósito deste assunto. Tal como o anterior “Esclarecimento” não passa de um exercício de retórica que nada de concreto esclarece. Teve, contudo, o Sr. Vice-Presidente o   mérito de nos acalmar ao dizer que se sentirá culpado se qualquer árvore nos cair em cima:
“Se uma pessoa sofresse um pequeno acidente que fosse, provocado pela queda de uma árvore, quem seria o responsável?  O senhor talvez não, eu talvez sim!
Concluindo:
O Sr.Presidente manda cortar árvores para que as pessoas não sejam atropeladas e o Sr. Vice-Presidente cuida que elas não nos caiam em cima.





Mobilidade


Transcrevo o post que acabo de colocar no site da CMTV, a propósito de uma situação que por ali se vive desde que o Bairro foi construido. Inqualificável quadro que mostra bem o conceito de cidadania dos responsáveis autárquicos.
O Presidente escuda-se na sua falta de poder para resolver este e outros problemas de estacionamento, não se cansando de atribuir tal tarefa à PSP. Esta, por sua vez, é de uma inefícácia e incompetência confrangedoras. A cidade, essa, vai vivendo em ambiente selvagem, em total desgoverno. Ano após ano...há muitos anos.
Cidades vizinhas, como Lourinhã, Caldas da Rainha, Mafra, etc, têm sabido resolver estes problemas.







Não eram, eventualmente,  estes carros,  mas a posição é idêntica.
 No início da tarde de 2ªfeira,dia 21 de Fevereiro,  um grupo de alunos da APECI  (um dos quais em cadeira de rodas) acompanhados de uma educadora, foi obrigado a ir para a estrada na impossibilidade de utilizar o passeio.
 Esta situação e outras similares, que constituem a imagem de marca da cidade, têm a vantagem de libertar os responsáveis da  “ponderação dos prós e contras” quando está em causa a  sua solução, tão evidente ela se torna. 
Não é preciso pensar.
Basta querer.
A bem da Mobilidade
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P.S. Não é a 1ª vez que me refiro a esta aberrante situação.