Circulando, de novo, pela cidade
Há muito tempo que não venho aqui ao blogue. Volto agora com o propósito de continuar a
referir-me ao tema do T&E, (e não só), assunto que preso e que também
representa a maior preocupação do Presidente.
O Regulamento de Trânsito de 2009, cuja entrada em
funcionamento “na íntegra” se prevê para fim de Março corrente, tem sido bastante
discutido na imprensa da cidade e noutras instâncias. Também o Forum do site da
Câmara a ele se tem referido.
Os dois textos que seguem foram nele publicados.
O primeiro , em
Dezembro de 2013, por altura do anúncio do alargamento da zona de parquímetros
.
O segundo, a propósito do Parque de estacionamento da
Câmara Municipal.
"Uma multa de
trânsito não é um acto de justiça, é sinal de pouca sorte”
Fui ontem, de manhã, dia 12 de Dezembro, ao centro da cidade para fazer umas
compras numa loja do “Comércio
tradicional”. À porta do estabelecimento
estavam estacionados os carros do(a) comerciante e o de um(a)
empregado(a). Não havia nenhum lugar vago em toda a rua. Como só me interessava
aquele estabelecimento, voltei à tarde. Constatando que os “residentes” ainda lá estavam e que continuava a não haver
nenhum lugar vago, segui, com muita
pena, para o Arena Shoping, estacionei gratuitamente num dos pisos e fiz a minha
compra.
Isto não aconteceu mas podia ter acontecido.
Deixo aqui uma pequena amostragem de entradas de automóveis
na cidade, em Fevereiro de 2008, num período compreendido entre as 09.00h e as
10.30h
Ontem como hoje, a maioria destes carros ocupa a cidade,
oferecendo um deplorável e lamentável espectáculo
Trata-se de uma situação que nunca vi denunciada pelas
chamadas forças vivas desta cidade, nomeadamente Associações, partidos
políticos, grupos organizados de cidadãos, etc, etc
A festança é diária e tudo corre sobre rodas! Calmamente…
Isto foi (e continua a ser) Torres Vedras, cidade onde valem
(e se consentem) todas as espécies de tropelias e irregularidades perpetradas por cidadãos que me abstenho de qualificar.
Diz Manuel João Ramos no livro “Sinais do Trânsito”, que “hoje uma multa de trânsito não é um acto de
justiça, é sinal de pouca sorte”. Transgredir quer dizer “ter o azar de ser apanhado por um polícia…”
E diz mais: “Tanto faz cumprir uma regra
como não. Os sinais de proibição ou obrigação já não são portadores de
informação pertinente- não exigem, sugerem…os polícias deixaram de perceber a
sua missão…agem como cidadãos … em vez de policiar, interpretam (como os
condutores) as regras. Tanto faz multar como não”
Os torrienses
auto-mobilizados têm sido, ao longo dos anos, esses sortudos e já deram por
adquirido esse estatuto quando utilizam discricionariamente os espaços à sua
volta. Por isso sentem agora o tapete a fugir-lhes debaixo dos pés e começam a
derrapar.
Avançam com medidas de um provincianismo pacóvio ( para uma
cidade cujo centro cabe num quarteirão da baixa de Lisboa), como seja a criação de escalões
e oferecem um dia de estacionamento para quem, p.e.,
compre um par de sapatos, ou duas horas
para beber umas bejecas!!! É isso?
Este parque não é
para todos
Contrariando a minha determinação de deixar de frequentar
este parque público do edifício da C.M.,
face às limitações que são impostas aos utilizadores, avalizadas, aliás, pelo
seu Presidente), a ele voltei. Recorri
ao elevador para sair (ao arrepio da norma imposta ) , face às reclamações das
minhas artroses e outras maleitas.
Cheguei ao átrio deserto às 17.30, os serviços já estavam
encerrados e a porta para o exterior estava fechada. Fui informado pela
empregada de limpeza que, para sair para o exterior teria que voltar ao parque ou então utilizar
um corredor dos serviços (!), o que fiz. Se
fosse um utilizador esporádico teria lamentado e aceite de bom grado a informação de que a “saída para a avenida 5 de Outubro estava
temporariamente fóra de serviço”, mas como não sou, continuo a dizer que
se trata de um completo desaforo uma vez que NUNCA funcionou.
Para os utilizadores desprevenidos aqui deixo algumas informações úteis sobre
este parque público:
Abre às 08h e fecha às 20h;
Ao sábado fecha às 14h;
Sai-se para o exterior por escadas de 49 ou 52 degraus,
conforme o piso;
O elevador funciona
de acordo com o horário da C.M.. até às
17.30h durante a semana;
Ao sábado não há;
O horário nas placas "Elevadores - Câmara Municipal
08.30-19.00" está, consequentemente, errado;
AS AGOSTINHAS
Desde que
ando por aqui, e já lá vão quase dez anos, não têm conta as vezes que os
membros da Autarquia responsabilizam os automobilistas pela sempre agravada
situação do T&E.
Coitado
do civismo que tanta pancada tem levado e que continua a ser o álibi para esta
fatalidade.
Mas as
bicicletas de partilha já cá estão e os torrienses e os turistas até podem
utilizá-las para subir ao Castelo nas eléctricas, que também as há. Mas isto só
vai acontecer em
Junho. Entretanto o Vereador Carlos Bernardes foi adiantando,
através da imprensa local, que não tem de haver espaços exclusivamente
dedicados à bicicleta, na sequência daquilo que o Presidente já havia
dito no site da C.M.: hoje, o convívio do peão e da bicicleta no mesmo espaço é aceite e
recomendável e é para aí que temos que caminhar. E mais disse o
Vereador que a Autarquia vai apostar em
campanhas de sensibilização…
Estou
inteiramente solidário com tais opiniões e intenções, mas confuso quanto aos
propósitos já assumidos pela C.M.relativamente à criação das cinco Ciclovias a
que a Revista de Nov/Dez de 2011 da Autarquia se referia, em texto acompanhado de curiosas fotografias.
São elas a “Linha da História”
(apadrinhada por João Roque), a “Linha Verde” com Leonel Miranda como padrinho,
a “Circular Joaquim Agostinho”, esta com Ana Agostinho como madrinha, “A Linha
da Água”(apadrinhada por Francisco Miranda) e a “Linha do Comércio” com Jorge
Silva como padrinho. Com isto se pretende, no dizer do articulista “criar
uma nova cultura (!!!) de mobilidade”
Entretanto,
e enquanto se aguarda por Junho, os torrienses, os estudantes e os turistas vão
continuar a desfrutar da desoladora paisagem que a denominada Ciclovia das
Escolas lhes oferece e a interrogar-se (não todos evidentemente) se as ditas
que se anunciam são mesmo para cumprir ou se não seria melhor descartá-las.
Será
bom ter presente que as “Agostinhas” serão obrigadas a circular pelas Ciclovias. Imagine-se o espectáculo nos passeios da Henriques Nogueira, no espaço (...) reservado aos ciclistas. A menos que a Autarquia acabe também com esta "coisa" a que a C.M. chama de Ciclovia das Escolas e que só serviu para ser inaugurada numa cerimónia muito parecida com a que a foto acima ilustra.
Volto ao assunto do Trânsito e Estacionamento na cidade de Tores Vedras:
O "PINO"
O "PINO"
Vê-se em todas as cidades e vilas mesmo naquelas onde a
fiscalização existe. Agora que o “Sistema informático de gestão de
estacionamento na cidade” jaz no seio da Justiça, bem faria a C.M.se, face á
inoperância da suprema autoridade policial (a qual continuará, por certo, a
manifestar-se), apontasse baterias para impedir, de facto, o estacionamento
abusivo e corrigir situações anómalas.
O PINO é a solução e já se vêem sinais de que a C.M. se vem
orientando neste sentido.
Há, contudo, que cuidar do aspecto estético e ambiental. Faz
pouco ou nenhum sentido que na cidade se utilizem cerca de 15 tipos de pinos ou
similares que desempenhem as mesmas funções.
Desde o Modelo CMTV (o 1º que vem do séc.passado), aos
cilíndricos, às bolas, aos retrácteis, às grades de vários tipos, aos cubos de
pedra, aos cilíndricos de pedra, aos blocos de cimento, até aos recentes da
zona pedonal do Largo de S.Pedro, é muita coisa para tão pequena cidade!
Num pequeno percurso com início na Rua João L.Moura
(Mercado) até ao Largo do Tribunal, passando pelo Largo de S.Pedro, Rua Gago
Coutinho, Terreirinho, Rua Francisco X.de Melo, Rua da Várzea, podem ver-se 13. Só
nesta última rua há 4 !!!
As nossas vizinhas Lourinhã e Caldas são uma excepção a esta
regra: Não vi pinos no centro destas cidades. Na vila de Mafra creio que só há
3 tipos e noutras cidades que conheço nunca vi tal diversidade.
"Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa."~
(FP/Alberto Caeiro)
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