O LARGO FANTASMA

Toda a gente fala do Largo de S.Pedro mas o que é certo é que  o mesmo não está identificado, não existe uma placa que diga "Largo de S.Pedro. Desta feita a Autarquia chegou à conclusão que o mesmo não existe, sempre foi um espaço de atravessamento de ruas, embora os torrienses o conheçam como Largo de S.Pedro"
Presidente da Câmara ( Badaladas de 19 de Junho de 2015)


Quer dizer " O espaço de atravessamento de ruas " vai mudar de nome, passando a chamar-se "Largo de S. Pedro" com direito a placa  e a Estátua.
Espera-se agora que o " O espaço de atravessamento de ruas " deixe de existir porque não faz sentido que o Largo passe a ter dois nomes.

PPP


PINTORES E PINTURAS  PARA TORRES

A Câmara Municipal de Torres Vedras entende que ao cidadão auto-mobilizado não basta a sinalizacão vertical que o proíba de parar e estacionar.  Vai daí pinta os locais de amarelo convencida do êxito da redundância. 
Os cidadãos respondem. 
Falta agora pintar os passeios!



  



Dia Mundial da Poesia


21 de Março 
Antonio Reis


Sei
ao chegar a casa
qual de nós
voltou primeiro do emprego

Tu
se o ar é fresco

eu
se deixo de respirar
subitamente


         
       

TORRES VEDRAS

O Prémio

Cidade inteligente que caminha para cidade de excelência com estatuto de melhor cidade para viver com bom desempenho na área da sustentabilidade a melhor do país em educação ambiental onde os cidadãos podem fazer compras sustentáveis com provas dadas de ser amiga das famílias em autarquia familiarmente responsável num concelho mais acessível

Face a estes encómios e invejável currículum, e tendo em conta um desejo do Vereador Carlos Bernardes (*), tomo a liberdade de conferir à Autarquia, na pessoa daquele Vereador, o Prémio "Joaquim Vaquinhas" , ilustre cidadão que deu o seu nome à ÚNICA rua do concelho onde os cidadãos automobilistas são convenientemente informados que não podem sair por onde entraram.
Espero que este troféu  possa constituir um estímulo para ser feito o diagnóstico e decorrente acerto da aberrante situação que só esta C.M. perfilha.

Complemento o que referi, com a disposição legal lamentavel e indesculpavelmente ignorada pelos responsáveis e cuja leitura e interpretação recomendo (**)
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(*)   "Nós em Torres Vedras gostamos de ser avaliados...porque só com essa avaliação sabemos diagnosticar o percurso que temos vindo a fazer ...e a detectar os problemas"

(**) Sinais de proibição:
"Os sinais de proibição devem ser colocados na proximidade imediata do local onde a proibição começa, com excepção dos sinais «Proibição de virar à direita», «Proibição de virar à esquerda» e «Proibição de inversão do sentido de marcha», que podem ser colocados a uma distância conveniente do local onde a proibição é imposta"


Carlos Drummond de Andrade




Se fosse vivo faria hoje 112 anos. Recordo-o aqui através de um poema e de um texto.


                                                        QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história.

                                             
                                        QUEM NÃO TEM NAMORADO

   “Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namoro de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.

Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas, namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado, não é que não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas: de carinho escondido na hora em que passa o filme: de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d’agua, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos e musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais.               Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo, e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada, e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da janela.

Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteira: Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça.”

Parabéns a Claude Lelouch

Recordo aqui, por ocasião do seu aniversário, o filme "Um homem e uma mulher" de Claude Lelouch, cineasta da "Nouvelle Vague", o qual tanto êxito teve na altura da sua estreia em 1966. Ficou famosa a sequência final num travelling circular que aqui trago:

Completo com uma breve referência a este movimento, cujos cineastas mais relevantes são Jean-Luc Godard, François Truffaut, Alain Resnais, Jacques Rivette, Claude Chabrol, Eric Rohmer e Agnès Varda, muitos deles ligados, como críticos à revista "Cahiers du Cinema".

"As características mais marcantes deste estilo são a intransigência com os moldes narrativos do cinema estabelecido, através do amoralismo, próprio desta geração, presente nos diálogos e em uma montagem inesperada, original, sem concessões à linearidade narrativa. Os autores desta nova forma de filmar detestavam muitos dos grandes sucessos caseiros do cinema francês"

Nos Estados Unidos, e não só, fez-se notar a influência deste movimento, nomeadamente nos filmes de Francis Ford Coppola, Brian De Palma, Martin Scorsese e George Lucas, renderam homenagem à vaga que começou a frutificar com o Bonnie and Clyde de Arthur Penn.