O 1º Sinal de Trânsito da cidade de Lisboa (Rua do Salvador, Alfama)




"Ano de 1686 - Sua Majestade ordena que os coches, seges e liteiras que vierem da Portaria de
S.Salvador, recuem par a mesma parte"

Trata-se do 1º Sinal de trânsito da cidade



A Rua do Salvador na década de 1980 (Jornal "A Capital" de 16 de Abril 83)
Visível a D.Conceição




A Rua do Salvador na actualidade, vendo-se a placa no canto inferior direito




A D. Conceição à porta de sua casa no Pátio dos Quintalinhos, às Escolas Gerais.


Conhecemo-nos em 2006 (tinha ela  92 anos)  quando ali me desloquei para registar umas fotos do local onde funcionou a 1ª Universidade portuguesa, em 1290, a mando do Rei D.Dinis.
- Aqui mesmo, disse-me, apontando para o interior da casa, era uma sala de aula...!
Foi esta Senhora quem  me transmitiu informação histórica que desconhecia. Foi ela quem me ofereceu um exemplar do  do Jornal  "A Capital" com uma reportagem sobre o assunto.
Visitei-a várias vezes e ofereci-lhe esta fotografia emoldurada. Nunca mais ali fui, depois de, da última vez, me ter dito que não sabia quem eu era...
Soube, entretanto. da sua morte.       



O que se escreveu, a propósito...
       
  "Pela estreiteza das antigas ruas, pela sua tortuosidade...uma das dificuldades da polícia era os atropelamentos e os encontros forçados de dois coches ou liteiras onde o recuo era extremamente penoso e impossível voltear ou tornejar".
"Daí se originavam contendas medonhas entre os lacaios e até os próprios amos não lhes eram indiferente. Da vozearia passava-se a vias de facto; e, por causa de dois coches embetesgados numa viela esconça amotinava-se um bairro" (Júlio Castilho)
Para pôr cobro a esta situação, D.Pedro II manda publicar legislação adequada da qual este sinal é um exemplo. Placas semelhantes foram colocadas na Calçada de S.Vicente, S.Tomé, Largo de Sta Luzia, etc.
Os infractores "eram punidos com cinco anos de degredo para a Baia, Pernambuco ou Rio de Janeiro e dois cruzados de multa, salvo chegando a ponto de puxarem por armas porque então lhes cominavam as penas dos desafios"
Por melhores que fossem os propósitos régios, era praticamente impossível resolver os problemas do trânsito face às dimensões dos coches e liteiras e à estreiteza das ruas.



1 comentário:

  1. Gosto muito destas pequenas histórias que dão conteúdo humano à "grande História".
    Bela reportagem, amigo ALA!

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