Bicicletas, Ciclovias, C
iclofaixas, Ecopistas e etc....

Tem-se falado muito de bicicletas ultimamente. Das “bike stations” de aluguer que estão na calha, de ciclovias já inauguradas e de outras que estão para vir.
Não tarda que Torres se transforme na Amsterdão portuguesa.
Esta situação motivou-me e fui dar uma olhada pelo que por cá existe, por forma a poder comparar o que sobre o assunto se disse e o que, na realidade, se vê:
Antes de mais, recordemos as caracterizações:
Ciclovia: 
É segregada fisicamente do tráfego automóvel. Podem ser unidireccionais (um só sentido) ou bidireccionais (dois sentidos) e são regra geral adjacentes a vias de circulação automóvel ou em corredores verdes independentes da rede viária.
Ciclofaixa: 
É uma faixa das vias de tráfego, geralmente no mesmo sentido de direcção dos automóveis e na maioria das vezes ao lado direito em mão única. Normalmente, nestas circunstâncias, a circulação de bicicletas é integrada ao trânsito de veículos, havendo somente uma faixa ou um separador físico, como blocos de concreto, entre si.
Ecopista: 
Ecopistas são vias de comunicação autónomas, reservadas às deslocações não motorizadas, realizadas num quadro de desenvolvimento integrado, que valorize o meio ambiente e a qualidade de vida, e que cumpra as suficientes condições de largura, inclinação e qualidade de pavimentação, de forma a garantir uma utilização em convivência e segurança por parte de todos os utentes, independentemente da capacidade física dos mesmos.
Por conseguinte, a utilização dos caminhos, canais, e vias ferroviárias desactivadas, constitui um suporte privilegiado para o desenvolvimento das Vias Verdes (Declaração de Lille, para uma Rede Verde Europeia, 12 de Setembro de 2000).
Face a estas caracterizações não será difícil concluir que no concelho de Torres Vedras apenas a Ciclovia das Praias se enquadra nestas caracterizações.
Vejamos: 
A Ciclovia do Barro tem um traçado misto, circulando-se com facilidade e segurança especialmente nos locais de traçado autónomo.
 A sua utilização é praticamente nula e só por ingenuidade se poderia admitir que iria ser uma alternativa ao automóvel. Tem locais intransitáveis. Leia-se  o que sobre ela se diz no site das Ciclovias de Portugal:
 “A Ciclovia do Barro insere-se no Plano de Mobilidade da Cidade de Torres Vedras e pretende criar uma via de ligação entre espaços de grande aglomeração populacional, tornando-se numa alternativa ao automóvel…”
Vejam-se algumas fotos: http://www.kizoa.com/slideshow/d1992765kP25047127o2/ciclovia-do-barro
A recente “Ciclovia das Escolas”  não passa de um conjunto de ciclofaixas  onde a circulação é altamente perigosa, especialmente nas rotundas, e  a segurança só pode ser garantida com semáforos. Na rua Venerando de Matos é altamente perigoso circular, face ao tipo de estacionamento vertical dos automóveis. Curioso que na Praça Sá Carneiro não haja ciclofaixa no sentido Norte Sul.
Quanto à Ciclovia da Rua Henriques Nogueira (a dos passeios !!!!!)), nem chega, felizmente, a ser perigosa porque  ninguém se atreverá a utilizá-la por respeito aos peões.  Note-se que não foram sequer delimitadas as zonas de circulação.  Esquecimento? Ou bastam as moedas no chão?
(Já estou a ver a minha amiga P. que mora na Conquinha, a vir de carro para o trabalho na 5 de Outubro, com medo de ser atropelada por uma bicicleta na Henriques Nogueira)
Poderá ver aqui uma sequência fotográfica desta ciclovia:   http://www.kizoa.com/slideshow/d1968431kP31061740o2/ciclofaixas-ciclovia-das-escolas
A “Ecopista do Sizandro” é uma obra que os agricultores muito devem ter agradecido. Automóveis, tractores, motas  e motosquatro, circulam agora com mais facilidade. Já o mesmo não se poderá dizer dos ciclistas porque o piso é de má qualidade e não aconselhável a pneus finos, ainda que, na totalidade do percurso, haja alguns kms de alcatrão a ligar os caminhos, nomeadamente na N9.
Destaco, pela sua importância, o último troço no sentido Foz – Expotorres:
Trata-se de um caminho alcatroado com sinalização de trânsito nos dois sentidos, proibição de inversão de marcha (com excepção de tractores) e indicação de saída (!?) de bicicletas. 
 E, cereja no bolo, uma oficina automóvel de permeio!!! 
Um verdadeiro percurso ecológico.
O que consta no site das Ciclovias: 
 “A primeira Ecopista do Concelho de Torres Vedras, a Ecopista do Sizandro, tem início no Parque Regional de Exposições e segue, sem dificuldade, até à Foz do Rio Sizandro. A Ecopista é, assim, uma via ciclável que une a Cidade de Torres Vedras à marginal atlântica através de um percurso que acompanha as margens do Rio, proporcionando um Passeio no meio rural e litoral. Em todo o percurso, com cerca de 2,5 metros de largura, foi implementada sinalização Vertical e Horizontal. 
Propus-me percorrê-la até ao seu termo na Foz do Sizandro, a partir do 2º percurso de cerca de 2,5 Km  (CM 1058 – Ribeira de Pedrulhos). Durante a viagem fui fazendo as fotos que aqui deixo:
http://www.kizoa.com/slideshow/d1992939kP41613231o2/ecopista-do-sizandro
Concluindo:
Trata-se de um percurso intermitente constituído por caminhos rurais já existentes, entretanto arranjados, onde é possível a circulação de todos os veículos.  Um ciclista com quem me cruzei disse-me que o que mais o preocupava eram as motoquatro… a abrir
 Não é por isso uma Ecopista e muito surpreende que a CM, que se tem mostrado tão sensível a questões ambientais, não tenha tal entendimento e desse modo a designe. Lamentável.
Isto não significa que não seja um processo alternativo de alcançar a foz do rio, de apreciar a sua beleza, de fazer conversa com  os agricultores junto às suas bonitas fazendas, circulando a  a pé de bicicleta, de mota  ou de automóvel. 
Se este percurso, de Eco não tem nada, chame-se-lhe “Caminho rural ciclável” ou outra coisa apropriada, para que os turistas, pelo menos esses, sejam convenientemente esclarecidos. 
Actualizemo-nos.


Cumprimentos

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